Ele: Eu queria muito que você lê-se isso, poderia ter mandando um e-mail, mas tenho certeza que ficaria acumulado ali em sua caixa de entrada só com um endereço desconhecido, então resolvi escrever em uma carta, estranho, mas eu lembro que você gostava. Nós éramos apenas amigos de infância, você morava no lado da minha casa, eu me lembro de todos os sábados a tarde aonde sua mãe e você com aquela fita roxa em sua cabeça iam lá em casa, então você subia até meu quarto e então íamos para baixo da cama com uma lanterna e lá era nosso esconderijo, onde contávamos histórias e nossa imaginação voava. A gente tinha pouca idade, mas nossa amizade era grande, você começou a ir todo dia lá em casa, andávamos de bicicleta, você me derrotava no Mortal Kombat naquele Nintendo que eu gostava tanto, mas a verdade que eu sempre deixei você ganhar, eu amava ver seu sorriso a cada vitória. E quando eu quebrei meu braço caindo de uma arvore você escrevia uma carta para mim todo dia e me mandava em um envelope verde por que era minha cor predileta e sempre colocava um beijo no começo da folha. Em um aniversário meu, você me deu um boné do Yankees, e eu sempre usava ele. Infelizmente nós crescemos e começaram as diferenças de meninos e meninas, seu pai não gostava que você fosse à minha casa, pois eu era um garoto. Então passamos a nos ver pouco, e paramos de nos ver depois que começamos a ir à escola, a sua era diferente da minha. Até quando soube que você ia sair daquela casa, eu não tive a oportunidade de me despedir, e nem você, não sabia se era por que não se lembrava de mim, ou por que simplesmente não deu. A vida não foi muito boa comigo, pois descobri um problema em meu cérebro que poderia me dar poucos anos de vida, então a adolescência chegou e soube que você estava estudando na mesma escola que a minha, quando tomei coragem de falar e ver se você lembrava-se de mim, foi terrível, eu andei até você, mas tinha aquele garoto tatuado e com a jaqueta de couro legal da escola, pra ser sincero nem sei quantos anos ele tinha pra estar na escola, mas seu pai não devia gostar disso, você não usava mais aquelas fitas que eu tanto gostava, suas roupas ficaram mais curtas, mas eu via aquela mesma garota linda que eu conheci. Durante meus anos na escola foi difícil, eu via você, mas nunca podia falar, não era por causa dos garotos em sua volta, ou sua popularidade, mas você não lembrava de mim, passei tantas vezes por você e nunca me reconheceu, também eu era apenas um garoto que usava camisas xadrez e o cabelo meio bagunçado, não tinha tatuagens e nem músculos, eu era apenas um garoto normal. No ultimo ano da escola teve aquela festa na praia, fogueira e bebidas, eu resolvi colocar o boné do Yankees que você me deu e tentar falar contigo. Lembro muito bem seu namorado, não era o tatuado, mas os dois brigaram lá e você começou a beber, eu poderia tê-la impedido, mas você queria esquecer aquilo e era seu ultimo ano. Bebeu tanto que a vi sozinha na beira do mar sentada e chorando, fui até você e me sentei ao lado, não falamos nada, mas você deitou em meu ombro e não parava de chorar, eu tremia muito, não sei o que aconteceu, mas você olhou pra mim e me beijou, foi o meu primeiro beijo, além disso, descobri o quanto era apaixonado por você. Os anos se passaram, perdi meus pais e segui minha vida, os médicos ficaram impressionados por que minha doença havia parado de evoluir e eu vivi mais tempo do previsto. Todo dia eu lia o jornal da cidade e lá estava sua coluna do dia, você tinha conseguido uma vida melhor, tinha voltado a ser a garota que eu sempre gostei, e na foto de sua coluna, você usava aquela fita roxa que eu gostava tanto. Eu sei que você não deve se lembrar de nada disso, sua vida deve estar perfeita, voltada de pessoas. Por acaso fiz um trabalho para seu jornal e acabei descobrindo seu endereço, e soube que você estava namorando um cara muito legal, todo dia eu passava pela sua rua de carro no horário que você saia ou chegava só para te ver de longe, nem que fosse por alguns segundos, eram perfeitos. Todo Natal eu te mandava flores, aquelas que você mais gostava e um cartão sem nome, apenas desejando um Feliz Natal. Eu completei 30 anos semana passada e fui a um jogo do Yankees com o seu boné, felizmente eles ganharam. Faz dias que eu não te vejo, mas não foi por que eu não quis, estou hoje em uma cama de hospital com apenas dois dias de vida, não tenho mais família, não tenho mais nada, só tenho você. Estou te enviando aquele cartucho do Mortal Kombat e o boné do Yankees são as melhores lembranças da minha vida. E aqui vai o que todo esse tempo eu queria te falar: Eu amo você. 05/08/2005.
Ela: Hoje é dia 10 de agosto, por todo esse tempo eu queria dizer o quanto eu era apaixonada pelo garoto do boné do Yankees, mas seus pais me contaram da doença grave dele, por isso não queria me despedir, pois não queria dizer meu ultimo adeus e não tive coragem de dizer o quanto o amava
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